Vivemos a maior crise humanitária da história moderna

No começo deste ano, o diretor de operações humanitárias da ONU, Stephen O’Brien, disse que o mundo vive sua maior crise humanitária desde a criação da organização, em 1945.

Segundo dados da própria ONU, mais de 20 milhões de pessoas em quatro países estão passando fome. E se não houver uma intervenção global de esforços coletivos e coordenados, muitos morrerão por desnutrição ou vítimas de doenças.

A situação de fome é definida quando um país tem mais de 30% de suas crianças menores de cinco anos sofrendo com a desnutrição aguda e as taxas de mortalidade são de pelo menos duas mortes a cada 10 mil pessoas por dia, entre outros critérios.

A pior crise está no Iêmen, a nação mais pobre do mundo árabe: dois terços da população precisam de ajuda e mais de sete milhões de iemenitas passam fome e não sabem de onde virá sua próxima refeição. O país está envolvido em conflitos já há quase três anos e as forças rebeldes impedem a chegada de ajuda à população.

A mesma coisa acontece no Sudão do Sul, onde mais de um milhão de crianças sofrem com a desnutrição aguda. Na Somália, mais da metade da população precisa de ajuda humanitária e proteção. E no nordeste da Nigéria, um conflito de sete anos promovido pelo grupo extremista Boko Haram matou mais de 20 mil pessoas. Segundo a ONU, a desnutrição na região atingiu níveis tão altos que alguns adultos não conseguem mais andar e há comunidades que perderam todos os seus bebês.

Além da questão da fome e da falta de recursos, vivemos também uma crise de refugiados. Nunca antes houve tantas pessoas obrigadas a abandonarem suas casas e seus países por conta de conflitos internos e desastres naturais. Estima-se que, hoje, existam mais de 65 milhões de refugiados espalhados pelo mundo, sendo que uma parte considerável deste número é de crianças.

Ter que abandonar o conforto do lar não tem sido a maior dificuldade enfrentada por essas pessoas. Elas ainda lidam com a xenofobia e o preconceito nos países onde são recebidas, e com a falta de condições mínimas de sobrevivência em muitos campos de refugiados.

No Brasil, a fome e as guerras civis não são um problema de grandes proporções, mas o nosso país é responsável por 10% das mortes por assassinato no mundo. Todos os atentados terroristas que aconteceram ao redor do globo nos primeiros cinco meses de 2017, com 3.314 mortes, não superam a quantidade de homicídios registrada no Brasil em três semanas de 2015. Entre as vítimas, os jovens e negros lideram.

Essas são só algumas das evidências da crise que a humanidade tem enfrentado, da vida perdendo o seu valor, sendo levada por tão pouco. Jesus deu a Sua vida por nós para que pudéssemos viver livres e abundantemente.

Talvez, não possamos ir até o Iêmen alimentar cada uma daquelas pessoas, mas podemos apoiar organizações que têm feito esse trabalho. Talvez, não possamos receber todos os refugiados do mundo, mas podemos tratar com gentileza e cuidado aqueles que estão perto de nós. Talvez, não possamos acabar com toda a violência em nosso país, mas podemos orar e fazer a nossa parte para sermos pacificadores em nossa geração.

Sempre existe alguma coisa que podemos fazer.

Fonte: Revista Comuna

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Martha Claros

Diretora da Área de Comunicação - COMIBAM Internacional

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