Uma Carta Aberta de um Cristão Rohingya Refugiado

Por Nicole Leigh

Os cristãos dentro do povo Rohingya são perseguidos duas vezes.

Primeiro, por sua origem étnica como Rohingya. A ONU considera os Rohingya como “as pessoas mais perseguidas da terra”. Sem lar, errantes, pobres e famintos, têm sido vítimas da campanha genocida de Myanmar contra eles desde os anos setenta. As ondas renovadas de perseguição têm forçado outros quatrocentos mil a irem para a vizinha Bangladesh, nos últimos meses.

Segundo, por sua decisão de seguir Jesus. Ainda que a maioria dos Rohingya sejam muçulmanos, aproximadamente 300 dentre 1,4 milhão de Rohingya vieram a Cristo nos últimos vinte anos, principalmente por meio do testemunho de uma família, que vive em um acampamento de refugiados em Bangladesh.

Conheci essa família quando visitei os acampamentos neste verão. O pai é o primeiro Rohingya conhecido por seguir a Cristo. Ele pessoalmente guiou mais de duzentos pessoas à fé em Jesus, ajudou a estabelecer cinco igrejas entre seu povo e começou uma escola primária cristã em seu acampamento.

Seu filho de dezoito anos, Arman*, foi meu guia e tradutor. Tinha uma nova cicatriz em seu nariz por causa de uma agressão recente de vizinhos muçulmanos no acampamento. Ficaram esperando-o do lado de fora, depois de uma reunião de oração, empunhando facas e paus. Apesar desta oposição, Arman sente paixão por alcançar sua gente para Cristo.

Caminhar pelos acampamentos com Arman me encheu de desespero, mas também me deu uma nova compreensão da necessidade de Cristo. Quando tudo o mais é tirado, Cristo permanece. Foi uma mudança de vida conhecer cristãos que não possuem nada, mas que ainda têm um prazer e um desejo de compartilhar a esperança de Cristo.

As histórias dos Rohingya estão sendo conhecidas pelas notícias das últimas semanas, à medida em que se intensifica a limpeza étnica. Os Rohingya estão desesperados para escapar do assassinato de suas famílias e dos incêndios de suas aldeias. Todos necessitam de nossas orações. As poucas centenas de cristãos entre eles precisam especialmente da intercessão de seus irmãos e irmãs de todo o mundo.

Uma carta de um cristão Rohingya em um campo de refugiados de Bangladesh

Em uma carta recente, Arman pediu aos cristãos que orem por todos os Rohingya, mais especificamente por seus companheiros cristãos:

Está chovendo aqui em Bangladesh, e a situação Rohingya é muito ruim agora. Quase 370.000 Rohingya fugiram para Bangladesh nas últimas semanas devido ao genocídio em curso em Myanmar. A maioria dos recém-chegados perderam tudo: marido, esposas, filhos e casas, e muitos têm sido feridos pelo exército de Myanmar. Precisam de comida, refúgio e atenção médica adequada.

Há setenta e oito famílias que são seguidoras de Jesus, e nós (minha família e eu) estamos cuidando deles. Todos se converteram do islamismo ao cristianismo. Em sua maioria, são meus parentes e vizinhos de Myanmar. Apesar de terem escapado de Myanmar, não estão seguros porque um grupo terrorista, Al Yakin, se formou dentro dos Rohingya e atacou os cristãos, e a meu tio especificamente. Ele fugiu deles durante quatro meses.

Meu tio e seu grupo de cristãos adoram a Deus porque Jesus é o verdadeiro Deus e salva a todos os que o seguem. Estão louvando a Deus por terem chegado de maneira segura a Bangladesh. Continuem orando pelas setenta e oito famílias cristãs nos campos de refugiados.

Ore por:

  • Cristãos Rohingya, para serem fortes em sua fé, inclusive em meio à perseguição de outros refugiados.
  • Todos os Rohingya têm comida suficiente para sobreviver dia a dia. Eles recebem arroz de uma organização não governamental local, mas isso é tudo.
  • Um refúgio seguro em Bangladesh para que possam ajudar outros a conhecerem Jesus e a estabelecerem igrejas.
  • Atenção médica adequada. Há clínicas móveis, mas os recursos são insuficientes e as necessidades são abundantes. As pessoas sofrem desnutrição, queimaduras, ferimentos em sua viagem e enfermidades.

Alguns crentes de nosso povo não puderam chegar a Bangladesh porque o clima estava ruim e ainda tentam escapar de Myanmar. Peço, com todo meu coração, que meus irmãos e irmãs cristãos de todo o mundo os mantenham em suas orações diárias. Sinceramente, creio que Deus tem um bom plano para meu povo. Oro para que Deus abra um caminho onde ele não existe.

Obrigado por orar,

Arman

*Nome fictício

Nicole Leigh é uma escritora da IMB. Ela e sua família estão vivendo na Europa há mais de duas décadas.

Fonte: www.imb.org

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Martha Claros

Diretora da Área de Comunicação da COMIBAM

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