Um tributo às mães que enviam seus filhos a missões

Por Lori Mcdaniel

Uma mudança sísmica ocorre no coração de uma mãe cujo filho sente o chamado de Deus para ser missionário. O anúncio desta decisão cria um deslocamento das emoções. Os pensamentos de estar a milhares de quilômetros de distância trazem à repentina existência grandes brechas entre a dor e a honraria, sentimentos entre o amor intenso e a perda profunda e entre a apreensão do que virá pela frente e a antecipação do que Deus fará.

Sentei-me em um quarto cheio de mães de missionários para escutar enquanto compartilhavam suas histórias. No princípio as palavras brilhavam na maioria das mães de filhos que cresceram e se foram, rindo-se da mancha de esmalte de unhas que permanece no tapete até o dia de hoje ou do ruído metálico que a secadora ainda faz, anos depois que as pedras caíram do bolso do jeans de sua criança pequena. Cada recordação estava conectada a uma história, e cada história havia crescido exponencialmente com o passar dos anos.

De sorrisos a lágrimas

Na medida em que suas histórias mudavam do passado para o presente, os sorrisos em seus rostos se convertiam em lágrimas. Suas lágrimas caíam numa mescla de histórias recentes e agradáveis bate-papos, enquanto cada mãe compartilhava sua alegria, dor, deleite, preocupação e obediência em relação a seu filho, que se mudou para levar o Evangelho a povos e locais não alcançados.

Percorremos um longo caminho desde que as mães ficavam junto ao mar, despedindo-se com a mão enquanto o barco partia, sem saber se seu filho voltaria alguma vez. Ainda que os séculos separem as mães de ontem das de hoje, uma característica comum nunca mudará. Não importa a geração, estas mães sabem o que é segurar a mão de seu filho enquanto cruzam uma rua e depois ter que soltar essa mão para que seu filho possa cruzar para terras estrangeiras.

Ainda que quisesse fazer deste artigo um tributo a minha própria mãe, que enviou seus filhos e seus netos para o exterior por um período de tempo, creio que ela concordaria com a importância de que fosse escrito para mães de missionários de todo o mundo, que compartilham diferentes versões da mesma história: seus filhos foram enviados para ser missionários.

A viagem da mãe do missionário

A mãe de um missionário tem valor inestimável para o movimento do reino de Deus. Pode ser que seu nome nunca seja conhecido, mas ela provou a amarga doçura do sacrifício requerido para dar a conhecer Seu nome.

A mãe de um missionário medita em seu coração os últimos momentos no aeroporto, registrando a troca de abraços e olhares intermináveis de “isso é tudo”. Ela sabe que nenhuma foto pode resumir a profunda emoção não expressada em deixar ir seu filho e, com frequência, seus netos.

A mãe de um missionário mantém seus filhos firmemente em seu coração e soltos em suas mãos. Ela criou seu filho para obedecer a Deus, sem saber que a obediência radical afastaria seu filho.

A mãe de um missionário se debate com as emoções de uma apreensão orgulhosa e do apoio ansioso. Ela mantém o equilíbrio ferozmente apoiado em uma confiança no chamado de seu filho e a certeza da soberania de Deus.

A mãe de um missionário tenta conciliar a tensão interior que sente, desejando orar para que Deus envie seu filho para casa, mas sabendo que precisa orar para que Deus dê resistência a seu filho para que permaneça.

A mãe de um missionário se diverte com seus familiares durante as férias, mas mal pode esperar para se achegar à tecnologia quando a vídeo chamada é do seu filho que está no exterior, inclusive se isso significa que deve pressionar pacientemente “chamar de novo” ou se “sem conexão” aparece repetidamente em sua tela.

A mãe de um missionário vive na extenuante realidade de que a vontade de Deus nem sempre é sinônimo de segurança. Ela entende que enviar seu filho para o desconhecido não é uma viagem espiritual romântica e sim uma batalha cotidiana entre as forças das trevas e da luz.

A mãe de um missionário, cujo filho vive em um lugar remoto, luta com a segurança que seu filho lhe deu de que “nenhuma notícia é uma boa notícia”.

A mãe de um missionário chega à agência de correios para enviar objetos com marcas emocionais, de sua casa, para seu filho, que está percorrendo caminhos em todo o mundo.

A mãe de um missionário conhece os custos da rendição para participar da missão de Deus. Na oração ela leva o peso da Grande Comissão, já que seu filho leva Seu nome àqueles que nunca o escutaram.

A mãe de um missionário ama as sinceras palavras de outros que lhe dizem: “Estou orando por seu filho”.

As mães dos missionários chegaram a esta viagem vindas de diferentes locais

Algumas começaram esta viagem como Amélia Taylor, que orou para que seu pequeno filho, Hudson, algum dia se convertesse em missionário. Outras, como Abigail Judson, mãe de Adoniram Judson, concordam com a possibilidade de que seus filhos sigam no ministério sempre que for um local próximo, mas não tão entusiasmadas com a ideia de missões distantes. Outras ainda se unem às filas de mães que sentem que foram colocadas em um vaso e está difícil demais suportar.

Não importa como a mãe de um missionário tenha chegado a esta viagem; todos os caminhos exigem a mesma realidade rigorosa. Enquanto seu filho aprende a viver em uma nova cultura, deve aprender a conviver com esta nova paisagem em seu coração. Ela pode estar segura de que este caminho que agora percorre é parte de uma narração eterna e grandiosa de Deus usando pessoas como vasos para dar a conhecer Seu nome em toda a terra. Sua história é parte da missão de Deus.

Lori McDaniel é líder de iniciativas da igreja na International Mission Board – IMB. Ela serviu com sua família por vários anos na África antes de voltar a plantar uma igreja nos Estados Unidos.

Fonte: International Mission Board

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Martha Claros

Diretora da Área de Comunicação - COMIBAM Internacional

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