Rumo a Uma Mobilização Integral

Por Germán Ricca

Alguém disse que uma das maneiras de medir a fidelidade de Deus era olhando para trás, para o passado. Ali podemos identificar quão bom, fiel e misericordioso foi e é nosso Deus. É por isso que, com muita alegria e felicidade, como movimento missionário ibero-americano, olhamos para trás e reconhecemos o que o nosso bom Deus nos tem permitido fazer, ao enviar missionários para diferentes regiões do mundo.

Ao mesmo tempo, considero importante referir-me às informações do Projeto Josué, que indicam que a partir do ano 2000 ocorre uma diminuição no número de missionários enviados, sendo essa uma tendência global.

No ano de 1900 havia 62.000 missionários. No ano 2000 havia 420.000 missionários e, finalmente, no ano de 2018 havia 450.000 missionários [1].

A diminuição no envio de missionários é uma informação que também é confirmada por conversas com diferentes líderes de organizações de envio na Ibero-América.

É evidente que mais líderes eclesiais e igrejas estão mais atentos às necessidades globais quanto à Missão de Deus. O conceito da Missão de Deus, inclusive, está sendo cada vez mais abraçado. Isso também vemos na participação numerosa em diversas atividades missionárias organizadas na região.

Esses elementos me convidam a refletir sobre a razão pela qual o envio diminuiu e a consciência sobre missões e Missão de Deus cresceu. Em termos gerais, posso assim afirmar que temos uma Igreja Ibero-americana SENSIBILIZADA [2]. [2]. Há obreiros que expressam o desejo de ir para o campo, mas não concretizam a saída. Sem dúvida, isso se deve a múltiplos fatores e talvez um deles seja a falta de uma MOBILIZAÇÃO [3] efetiva.

Os termos Sensibilização e Mobilização não são opostos, mas sim, o primeiro está incluído em todo um processo chamado Mobilização (ver as definições de ambos os conceitos nas notas de rodapé). Precisamos rever nossa filosofia, estratégias e metodologias para que a Mobilização da Igreja na Ibero-América reverta a tendência, sendo melhor e mais eficaz.

Ao compartilhar minha preocupação com mais de 50 organizações de envio e outro número importante de organizações de mobilização, interpreto que Deus está pedindo que entendamos a urgência de que a mobilização seja incluída no âmbito do DISCIPULADO bíblico, pois muitas vezes nos concentramos em ferramentas muito boas, eventos e tantas outras coisas, mas, por alguma razão, nós a temos dissociado de um discipulado-mentoria dos candidatos potenciais.

Esse discipulado deve levar em conta que as pessoas e as igrejas compreendam em profundidade por qual motivação se envolvem na Missão de Deus. Sentimo-nos tentados a causar um impacto na vida das pessoas, mostrando imagens que refletem a necessidade global, com ênfase excessiva apenas na pobreza, ausência de cristãos e assim por diante, quando a MOTIVAÇÃO CORRETA deveria ser: “O DEUS CRIADOR DO UNIVERSO HÁ MAIS DE 2.OOO ANOS COLOCOU EM PRÁTICA SEU PLANO DE REDENÇÃO GLOBAL E CONVIDA A NÓS, SEUS FILHOS, A SERMOS PARTE DESSE TRABALHO”. É uma honra colocar nossas vidas a serviço de nosso Deus em Sua Missão.

Não somos mobilizados por necessidades que nossos olhos veem; nos mobilizamos porque nos honra fazer parte do PLANO GLOBAL que nosso CRIADOR realiza; um plano que nos dá um propósito, acende nossa paixão e não nos deixa espaço para permanecermos inativos com respeito a Sua Missão.

Devemos parar de pensar de forma segmentada em relação a faixas etárias. Identifiquemo-nos como um só bloco, já que a Missão de Deus é realizada através de uma INTERAÇÃO MULTIGENERACIONAL. Se implementarmos esta interação, conseguiremos uma sinergia onde a experiência dos anos se sentiria honrada pela força da juventude, e essa juventude seria valorizada pelos mais velhos. Somos um só corpo e precisamos uns dos outros para impactar
o mundo.

Para deixar a reflexão em aberto, quero fazer referência à filosofia ministerial de Jesus [4], a qual poderia ser resumida em três expressões: PENSAR GRANDE – COMEÇAR PEQUENO – IR FUNDO. Jesus PENSOU GRANDE – com uma visão ampla, criou um movimento global que se reconcilia com o Pai Celestial (Lucas 19:10). No entanto, decidiu de maneira intencional COMEÇAR PEQUENO, focando em formar doze pessoas para facilitar um relacionamento próximo (Lucas 8:51, Marcos 14:33). Naquele estreito relacionamento, também se preocupou em IR FUNDO com cada um deles, para facilitar experiências transformadoras, que impactaram o caráter e o espírito dos doze.

Levando em conta o que foi dito, precisamos incluir em nossos modelos de mobilização um foco no discipulado, com uma visão grande e global, direcionando nosso foco para um pequeno grupo onde possamos ter e facilitar experiências de transformação. Dessa forma, alcançaremos um avanço concreto, transformando uma “Sensibilização”, que em minha opinião está bastante presente na Ibero-América, em uma “Mobilização” concreta, onde vejamos a Igreja do Senhor mais envolvida com a tarefa missionária e a Missão de Deus.

O diálogo permanece aberto, pois é minha esperança ouvir e aprender com as experiências de muitos mobilizadores da região, que estão altamente comprometidos com Deus e com Sua Missão, para que juntos facilitemos que o Nome que é sobre todo Nome seja pregado em lugares onde ainda não há testemunho.

 

Bibliografía de consulta:

[1] https://www.joshuaproject.net/assets/media/handouts/global-mission-trends.pdf. (September 2020. Sources: Joshua Project, Operation World, Atlas of Global Christianity, Jesus Film Project, Wycliffe Bible Translators, Frontier Ventures, Mission Frontiers) 

[2] Sensibilização: Fazer com que uma pessoa se dê conta da importância ou do valor de uma coisa, ou que preste atenção ao que se diz ou se pede. 

[3] Mobilização: Cooperar com a mudança da cosmovisão de indivíduos e de uma comunidade de fé para que se envolva ativamente na Missão de Deus. 

[4] David Toth – Mentorlink International

 

 

 

 

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