Por que seus amigos missionários estão mais agradecidos?

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Por: Beth Matheson

“Nunca poderia fazer o que você faz”, me disse certa vez uma mulher com os olhos muito abertos, com amável sinceridade. Meu esposo e eu acabávamos de falar sobre nosso trabalho com a Wycliffe em sua igreja e pude ver que ela estava fazendo uma lista mental de todas as dificuldades que ela teria para ser missionária.

“Bom, nem eu posso fazer o que faço”, respondi honestamente, fazendo minha própria lista mental de áreas nas quais, muitas vezes, luto e falho, como perder  a paciência, ter falta de compaixão, lutar contra a ansiedade e ficar sem energia.

Não estava sofrendo de falta de confiança em mim mesma ou questionando, repentinamente, meu compromisso com a missão em tempo integral; simplesmente eu queria que esta querida mulher soubesse que os missionários não devem estar em pedestais. Deus não chama todos a se tornarem missionários profissionais, mas não há nada especial naqueles a quem Ele chama. Somos simplesmente pessoas normais e imperfeitas, que vivemos e trabalhamos em um contexto que pode ser diferente ao da experiência de um americano típico. Na maioria das vezes, me sinto um pouco mal capacitada para ser missionária, e me alegro por ser assim! Todas minhas lutas trazem uma humildade mais profunda e uma maior confiança em Deus.

Força na fraqueza

Assim como eu, seus amigos missionários provavelmente são muito conscientes das deficiências de suas próprias forças, capacidades e recursos, mas também estão profundamente agradecidos pelas carências. Sabem que essas lacunas são oportunidades para ver Deus trabalhar sem que eles obstruam essa ação, com um sentido errôneo de conquista pessoal. Paulo, inclusive, possivelmente o missionário mais influente da história da Igreja, aprendeu esta verdade enquanto lutava contra uma obstinada área de debilidade pessoal: “Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.” (2 Coríntios 12:8, 9).

Obra de Deus

Fazer com que a Palavra de Deus esteja disponível para todas as  pessoas em um idioma e formato que compreendam claramente é uma tarefa monumental, grande demais para que as pessoas a possam realizar por si mesmas, sozinhas. Não temos tudo o que é necessário porque não estamos destinados a ter. Este esforço complexo é, em última instância, obra de Deus, e sua perspectiva é muito mais ampla que a nossa.

Enquanto minha amiga Cathy e sua família se preparavam para seu trabalho no exterior, descobriram que a assistência de educação  especializada que sua filha necessitava não estava disponível para onde iam.

“Como ainda nos sentíamos chamados [ao estrangeiro], fomos  sem saber como seriam cobertas  suas necesidades de educação”, explicou Cathy. “Depois de chegar  ao campo, soube que a educação que necessitava para poder ajudá-la estava disponível em um país próximo. Em poucos meses, graças à generosidade de alguns amigos, estava em um avião para receber esse treinamento. Quando regressei, pude não só ajudar minha própria filha, como também  trabalhar dentro da comunidade, oferecendo serviços a outros estudantes que necessitavam”.

Cathy e sua família confiaram em Deus quanto à sua necessidade e ele a atendeu de uma maneira que não só capacitou sua família para continuar servindo às equipes de tradução da Bíblia como também permitiu que muitas outras famílias missionárias continuassem com  seu trabalho.

Minha família e eu também vimos a bondade de Deus no meio de nossas deficiências enquanto  estávamos servindo no exterior. Quando chegamos a Papua Nova Guiné, não nos demos conta de que as expectativas que tínhamos de nós mesmos eram pouco realistas e inclusive orgulhosas. Pensamos que poderíamos fazer malabarismos com nosso ministério, relacionamentos e vida doméstica sem muita ajuda, mas começamos a lutar quase de imediato com as demandas da vida diária em nossa nova comunidade.

Quando admitimos nossa necessidade de ajuda, as pessoas ficaram do nosso lado, incluída uma mãe solteira local, que precisava de trabalho. Nós a contratamos para que me ajudasse a cuidar da roupa e a manter nossa casa livre do mofo tropical de rápido crescimento, mas também nos ensinou com paciência as habilidades linguísticas, influenciou silenciosamente nosso ministério e nos encorajou através de sua fé e perspectiva. Uma relação que começou devido a um vazio em minhas próprias habilidades se converteu em uma humilde e preciosa amizade, que continuou a longa distância.

A família de Cathy e a minha aprenderam que nossas limitações e necessidades não impedem que Deus complete sua obra em nossas próprias vidas ou no mundo; de fato, com frequência, trabalha através de nossa fraqueza para oferecer mais do que poderíamos ter imaginado.

Agradecida pelos vazios

Quando seus amigos missionários se sentem oprimidos ou não qualificados, isso é um convite para ver a fidelidade de Deus através de sua presença e de seu povo. Quando se sentem sós ou nostálgicos, conseguem uma maior intimidade consigo mesmos e isso contribui para novos relacionamentos e ritmos. Quando seus amigos se cansam ou adoecem, Deus abre a porta para que novos trabalhadores intervenham e assumam a carga enquanto eles se recuperam. Quando lutam para compreender a cultura ou o idioma que os acolhe, é dada a eles a oportunidade de crescer como estudantes humildes. Quando os momentos de estresse revelam padrões pecaminosos ou não saudáveis, podem experimentar a profundidade da graça, do perdão e da cura de Deus. E quando necessitam de ânimo, apoio financeiro e de ser elevados em oração, Deus usa você para preencher esse vazio!

Seus amigos missionários estão muito agradecidos pelos lembretes diários de que não são suficientes por si mesmos porque esta verdade os mantêm dependentes de Deus e conectados com seu povo.

Então, na próxima vez em que se sentir desanimado ou não qualificado para enfrentar áreas em sua própria vida, busque entender como Deus está preenchendo os vazios deixados por sua falta de força, habilidades e recursos. É possível que também se sinta muito  agradecido pelos vazios!

Fonte: Wycliffe

 

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