Os quatro amigos

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Por Connie Whang

Parece que esta é uma passagem que foi colocada nas Escrituras para demonstrar, entre outras coisas, o que alguns homens são capazes de fazer por um amigo: Marcos 2:1-12 “…alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens…” (v.3)

Um dos pontos a serem resgatados desta história é que os que ministram aos fracos e desamparados são abençoados e estão mais próximos de ver um milagre com seus próprios olhos. Salmos 41:1: “Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal”. Definitivamente, neste tempo estamos perdendo muitas bênçãos; basta ver os milhões de marginalizados ao redor do mundo.

Jesus sabia que a chave principal para entender pessoas com deficiências diferentes era estabelecendo relações com elas, desenvolvendo amizades. Isso criaria confiança e as ajudaria a se abrirem para o amor de Deus.

Que tal se colocarmos nomes a esses 4 amigos? O que esse paralítico necessitava? Quais são as características que nos tornam amigos verdadeiros? Lembre-se que Jesus nos chama AMIGOS.

1º Amigo: Compaixão

Quatro amigos verdadeiros que não viram a dificuldade e cuja fé foi além do obstáculo. Creio que a intenção deles de carregar o amigo e levá-lo a Jesus já era muito válida, até porque a impossibilidade de que o paralítico visse Jesus era enorme. Mas eles não se detiveram. Criaram a possibilidade, foram visionários, nada os faria desistir, se arriscariam. Sabiam quem era Jesus e a esperança de cura era mais real que os problemas. Sua compaixão os motivava a continuar.

Da mesma forma, como em outras ocasiões, Jesus tocou aqueles que eram afetados pela lepra, limpando-os. Num contexto em que era impossível que alguém tocasse este grupo de pessoas, e mais, nem sequer se aproximasse deles e a lei o amparava (Levítico 13), Jesus não veio revogar a lei, mas cumpri-la. E em várias passagens, em seus encontros com pessoas com lepra, nos ensina a andar a milha extra, essa milha de compaixão. A atitude de Jesus nos mostra muitas coisas, entre elas: Olhar com misericórdia antes de agir, assumir riscos, o ágape de Deus antes do nosso próprio amor.

2º Amigo: Acompanhamento

Jesus se deixou ser acompanhado por pessoas com deficiências, a maioria das quais foi curada por Ele. Caminhou com elas, compreendeu-as e as protegeu. É incrível que a maior parte de seu ministério tenha sido sua assistência e acompanhamento a pessoas com deficiências. Elas eram importantes para ele, porque ele entendia o sofrimento que as acompanhava; não apenas a deficiência visível, mas a pessoa de uma forma integral.

E em nossa passagem, vemos amigos que acompanhavam. Eles não enviavam outros, sabiam que cumpririam sua missão se fossem 4, cada um tomando um lado da maca. Seu amigo em necessidade era o mais importante para eles e sabiam que não conseguiriam se não formassem uma comunidade ao redor dele.

3º Amigo: Restauração

A origem da palavra restauração vem de: “voltar a um estado melhor que o original”.

Mais uma vez, vemos Jesus, que não se ocupa apenas de restaurar o corpo do paralítico, atendendo a sua necessidade física, mas também a sua alma e espírito.

Mas também restaura a vida dos amigos. Eles não voltaram a ser os mesmos. Viram sua fé se ativar diante de seus olhos. Confirmaram o Senhorio de seu Messias frente aos mais severos desafios físicos e viram seu amigo receber a salvação.

Vemos outro caso em Atos 3, onde Pedro e João, em Nome de Jesus, ordenam ao paralítico que ande na porta do Templo chamada Formosa; este não apenas recebeu cura física, como entrou no Templo junto com eles, regozijando-se e louvando a Deus. Este era um lugar restrito para aqueles que eram considerados limpos, mas Pedro e João testificaram perante o Sinédrio da cura recebida e como foi salvo no Poder de Jesus.

Foi restaurado para o caminho da liberdade. Antes, ele era um escravo da mendicância, da destruição física e da alma, de apenas ficar ao pé da porta do templo; agora livre para fazer parte do tributo que queria dar a Deus.

4º Amigo: Empoderamento

A melhor maneira de ilustrar “Empoderamento” está na vida de Davi, fazendo misericórdia e justiça a Mefibosete, enquanto ele estava escondendo-se do Rei, fugindo por medo de sua vingança, preocupado em ser descoberto e foi procurado por amor. Ele estava destinado a ser um filho de Deus, mas foi roubado e enganado pelo diabo e perdeu seu lugar com Deus.

Essa é a realidade vivida por aqueles que lidam com deficiências, escondidos nas trevas, sem uma palavra sobre Deus e seus caminhos, vivendo na ignorância e comportando-se como se fossem estúpidos. Mesmo assim, Deus os ama e os busca através dos “Davis” deste tempo para levá-los à Sua casa e dar a eles uma nova vida.

Em II Samuel 9:9-11 encontramos: “Chamou Davi a Ziba, servo de Saul, e lhe disse: Tudo o que pertencia a Saul e toda sua casa dei ao filho de teu senhor. Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teu servos, e recolherás os frutos, para que a casa de teu senhor tenha pão que coma; porém Mefibosete, filho de teu senhor, comerá pão sempre à minha mesa. Tinha Ziba quinze filhos e vinte servos. Disse Ziba ao rei: Segundo tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim o fará. Comeu, pois, Mefibosete à mesa de Davi como um dos filhos do rei”.

Eu me pergunto o que Mefibosete poderia ter pensado quando os homens do rei se apresentaram em sua porta: “Bem, até aqui cheguei. Estou morto! O rei me encontrou e agora, com certeza, vai enfrentar-me com toda sua ira”. Creio que é isso o que pensam as pessoas que foram afetadas por uma deficiência. Estou isolado, quando alguém se aproxima de mim é para me humilhar, ou simplesmente, nem sequer sou considerado uma pessoa. E se alguém vem a mim é para incutir mais temor. A condição física de Mefibosete (ou seja, aquele que espalha vergonha), estava ligada à sua condição da alma. O que isso diz a você e a mim?

Até que conheçamos o poder do amor de Deus e experimentemos sua grande tolerância, a abordagem será diferente. No verso 3, Davi pergunta a Siba se ainda há alguém na casa de Saul a quem ele pode mostrar a “misericórdia de Deus”. Essa é a chave. Não é sobre a nossa boa intenção ou bondade puramente humana, mas sobre a misericórdia de Deus!

Assim, uma vez que conhecemos a verdadeira natureza de Deus, quão maravilhosa e admirável é sua graça e quão magnífico é seu amor por nós, então podemos oferecê-la aos outros. Davi disse a Mefibosete que não lhe mostraria nada além de bondade pelo amor que tinha por Jônatas, seu pai; que iria restaurar tudo o que ele havia perdido; que iria comer na mesa do rei todos os dias; tudo o que ele fizesse por Mefibosete seria para empoderá-lo.

Não se esqueça que há muitos Mefibosete que esperam pela mesma bênção. Esperam pelo amor de Deus, uma realidade que também foi escondida deles. Alcancemos não com nossos esforços humanos, mas com a mesma graça que nos alcançou um dia. Como Davi, teremos que tomar iniciativas, romper esquemas, procurar até encontrar e depois oferecer a eles uma mesa servida, cheia de compaixão.

Concluímos com essa passagem em Isaías 40:29 – “Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor”. Que sejamos usados ​​para que o Poder de Deus seja manifestado nestes “pequeninos”, os mais “fracos e vulneráveis”, porque assim estaremos em plena sintonia com o coração de Deus.

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Connie Whang

Connie Whang é esposa de Steve, com quem está casada ha 18 anos. É mãe de Tiffany, de 11 anos, que padece de uma condição neurológica. Nasceu no Perú, e aos 18 anos recibeu um chamado ao ministério a tempo completo. Estudou Teología e um Mestrado em Psicología e Aconselhamento Cristão. Sua paixão é a mobilização missionária aos países sem acesso ao Evangelho, com enfoque especial nas pessoas com deficiencias físicas.

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