O que queremos dizer por “mobilização missionária”?

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Por Ryan Shaw

Aproximadamente um terço da população mundial ainda se encontra na categoria de grupos de pessoas não alcançadas porque têm uma igreja local que é muito pequena para chegar adequadamente a seu próprio povo. No geral, é onde 2% ou menos da população do grupo étnico são seguidores de Jesus. Em sua maior parte, isto não mudou nos últimos 30 anos. É comum atribuir razões para isso, como a dificuldade das próprias pessoas, oposição ao Evangelho, falta de financiamento e muito mais. No entanto, há muitas outras razões pelas quais muitos povos ainda não são alcançados. Uma razão fundamental é a negligência generalizada do engajamento da Igreja global por si só (mobilização missionária) na missão global, relegando a missão a alguns poucos profissionais (tradicionalmente de origem ocidental). Nunca alcançaremos o propósito de Jesus até que nos alinhemos com os caminhos de Deus, como revelado nas Escrituras.

Estou convencido de que há no horizonte um grande avanço entre as nações, na medida em que a Igreja global se compromete corretamente com a mobilização missionária. O corpo global de Cristo está às portas de uma explosão de mobilização missionária focada entre denominações, organizações e ministérios locais individuais. Ministérios, cursos e ferramentas centrados na mobilização surgiram globalmente na última década mais do que nunca na história. A ênfase na mobilização missionária parece estar se acelerando em todo o mundo e culminará com o tempo em que a Igreja global caminhe em sua identidade central como povo missionário de Deus.

Entretanto, na superfície, o movimento da missões parece um pouco ultrapassado. O número de trabalhadores de longo prazo dos países de envio tradicionais continua a diminuir, enquanto os países de envio emergentes parecem inseguros sobre como participar efetivamente. Discipular todos os grupos étnicos, multiplicar igrejas simples culturalmente relevantes, milhões reconciliados com Deus em Cristo, a Igreja global alcançando na fé e na obediência – em essência, todo o mandato da Grande Comissão – está hoje em uma encruzilhada. Nunca foi tão necessária uma visão clara de mobilização missionária em toda a Igreja global, uma visão enraizada diretamente na revelação bíblica.

O que vem à mente quando você ou seu ministério local pensa na mobilização missionária? Para muitos, predominam as imagens do recrutamento de trabalhadores internacionais individuais para uma organização cristã ou missionária. Para outros, falar com um grupo sobre missões. Outros imaginam uma conferência missionária, ou um curso de educação missionária, onde escutam um desafio para alcançar as nações. Outros ainda pensam em uma viagem de curto prazo. Ainda mais, a veem equivalente a fomentar o evangelismo em vilarejos próximos. Para outros, a mobilização missionária é uma sessão periódica em seu ministério de oração pelos perdidos.

Embora nenhum deles sejam conceitos errados de mobilização missionária, são incompletos e insuficientes, o que produz uma compreensão distorcida. No geral, o corpo de Cristo não atingiu o alvo de abraçar uma visão clara, integral, holística e biblicamente baseada na mobilização missionária. Na pior das hipóteses, negligenciando-a por completo e, na melhor das hipóteses, minimizando-a, em detrimento da Grande Comissão de Jesus em toda a terra.

O que aconteceria se cada uma dessas atividades individuais (e muitas mais) fossem apenas uma pequena porção de um paradigma muito maior e integral sobre a mobilização missionária que Jesus estava encorajando Sua Igreja a abraçar? O que aconteceria se a mobilização missionária se referisse a chamar toda a Igreja global (cada discípulo e cada ministério local), e não apenas umas pessoas, a caminhar em sua identidade central (transmitida pelo Espírito através do nascimento da Igreja em Pentecostes) como “portadores de mensagem”, mesmo que nunca deixem sua cidade natal?

O que aconteceria se a mobilização missionária se referisse a cada ministério local (não importa quão grande ou pequeno seja) educando, inspirando e ativando sistematicamente seus membros na Grande Comissão? O que aconteceria se, como Paulo, todos os líderes de igrejas, denominações, redes e organizações vissem parte de seu papel de liderança como mobilizadores de missões (em um sentido amplo)? Usando as cinco funções ministeriais de Paulo em Efésios 4:11, isto significa um apóstolo-mobilizador, um mestre-mobilizador, um profeta-mobilizador, um evangelista-mobilizador, um pastor-mobilizador, líderes em todas as estruturas ministeriais vendo seu papel de liderança (seja grande ou pequeno) como uma contribuição simultânea para a mobilização missionária implícita da Igreja em geral.

O que aconteceria se a mobilização missionária fosse vista no centro do verdadeiro discipulado, não o subsequente, ou pior, periférico, tão comum agora? O que aconteceria se a mobilização missionária permitisse a todos os ministérios locais conhecer a história da qual fazem parte, vendo a grande narrativa da Bíblia (redenção para toda a humanidade), do princípio ao fim? Reconhecendo sua parte na história milenar e no propósito de Deus. O que aconteceria se a mobilização missionária imaginasse que cada ministério local enviasse (dispersar, realocar) pelo menos 20% de seus membros para iniciar estudos bíblicos que conduzam igrejas simples entre povos não alcançados em culturas próximas e distantes?

O que aconteceria se, em vez de desafiar os crentes a simplesmente “IR”, a mobilização missionária ajudasse a Igreja a enfatizar as prioridades bíblicas conduzidas pelo Espírito de Jesus em direção ao cumprimento da Grande Comissão? Em lugar de que “tudo seja missões”, a Igreja priorizasse a multiplicação de movimentos de plantação de igrejas que acendem os movimentos de pessoas para Cristo entre todos os grupos étnicos não alcançados como a norma bíblica e histórica do Reino de Deus que se estende entre as nações?

Uma definição desta perspectiva integral sobre mobilização missionária é o processo estratégico através do qual o corpo global de Cristo recebe poder do Espírito de Deus para enfatizar a mensagem, a visão e as estratégias da Grande Comissão, dentro de cada ministério local em cada nação, ativando cada discípulo em seus papéis designados, para o cumprimento da Grande Comissão nesta geração.

Um erro comum na mobilização missionária tem sido vê-la predominantemente como um verbo e não como um substantivo. Um verbo descreve uma ação, ocorrência ou estado do ser, enquanto um substantivo se refere a uma pessoa, lugar ou coisa. Enquanto a mobilização missionária inclui a ação de “mobilizar” e as atividades que a acompanham, em seu sentido mais amplo, a mobilização missionária é uma categoria distinta de ministério dentro da igreja global. A mobilização de missões, quando compreendida corretamente, é sua própria entidade, uma disciplina (ou campo) comprometida de foco dentro do movimento missionário. Requer pensamento profundo, teologização e ensino, capacitação, ferramentas e estratégias guiadas pelo Espírito e derivadas da Bíblia.

Como entidade, a mobilização missionária é o núcleo negligenciado do movimento missionário. Sem a mobilização missionária implementada segundo o previsto no coração de Deus, a missão global não pode alcançar todos os desejos de Deus. Manter os paradigmas atuais de mobilização missionária não nos permitirá ver toda a Igreja efetivamente mobilizada e equipada para seu propósito principal.

Devido ao fato de que muitos esforços de mobilização de missões derivaram historicamente das culturas ocidentais, a ênfase no recrutamento individual foi tido como normal. As culturas ocidentais geralmente veem o mundo através de lentes individualistas, enquanto a maioria das culturas não ocidentais veem o mundo através de uma lente coletivista e comunitária. Portanto, a mobilização missionária foi geralmente comprada como abordagem de recrutamento individualista em vez de dar poder a toda a Igreja com uma abordagem de mobilização missionária comunitária. Envolver ministérios locais individuais para enfatizar a glória de Jesus na Terra e Seu propósito culminante nesta era: o Cumprimento da Grande Comissão.

O GMMI (junto com muitos ministérios de mobilização missionária que estão surgindo em todo o mundo) está comprometido em ajudar a equipar a Igreja para este tipo de mobilização missionária. O Senhor tem levado o GMMI (antigo SVM2) durante quase vinte anos a desenvolver recursos, ferramentas, capacitações e estratégias de vanguarda para equipar a Igreja para a mobilização missionária. Isto inclui estratégias focalizadas de mobilização missionária dentro de um ministério local e através de estruturas ministeriais (denominações, redes, organizações) dentro dos contextos da igreja nacional. Explore o site do GMMI, considerando as formas práticas pelas quais você e seu ministério local podem ser equipados para uma mobilização missionária abrangente entre suas esferas de ministério. Esperamos servir a você.

Fonte: GMMI – Global Mission Mobilization Initiative

 

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Martha Claros

Diretora da Área de Comunicação da COMIBAM

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