O grande movimento missionário da Coreia do Sul: a soberania de Deus, nossa obediência

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Por Jae Kyeong Lee

A mensagem do evangelho chegou pela primeira vez ao povo coreano em 1885, por meio do trabalho de missionários estrangeiros. Menos de 100 anos depois, em 1974, as igrejas coreanas enviaram oficialmente 24 missionários. Esse número cresceu exponencialmente e, quarenta anos após o envio de seus primeiros missionários, 27.436 missionários coreanos, de várias denominações, estavam servindo em 170 países.

Este crescimento fez com que os cristãos ao redor do mundo se maravilhassem de como a Coreia passou rapidamente de um país sem o evangelho para um país que mais o leva para outros lugares. Embora a prática de missões em meu país não tenha sido perfeita, acredito que certos fatores, pela graça de Deus, têm ajudado as igrejas coreanas a enviar bem.

A igreja sob perseguição

A Coreia esteve sob o domínio colonial japonês até 1945 e a prática cristã tinha sido suprimida. As igrejas batistas coreanas, em particular, foram fechadas à força e suas propriedades confiscadas em 1944 porque se negaram a participar de culto em santuário japonês. Essa opressão diminuiu seu número, mas muitos se mantiveram fiéis diante da perseguição.

Quando a Coreia se libertou do domínio colonial japonês, em 1945, havia cerca de 350.000 cristãos na Coreia. Os cristãos que permaneceram dispostos a compartilhar sua fé se associaram a organizações cristãs estabelecidas, tais como a Convenção Batista do Sul. Como resultado, a igreja cresceu explosivamente, chegando a 1,2 milhão de cristãos em 1965 e 10 milhões em 1985.

A priorização da oração e da obediência

Há uma tradição da igreja coreana de ir à igreja às 5 da manhã para adorar e orar antes de ir para o trabalho. E é através destas orações ao amanhecer que Deus tem chamado muitos coreanos ao serviço missionário, um chamado que eles, muitas vezes, obedecem de imediato.

Os coreanos são pessoas apaixonadas. Se Deus direciona, mesmo que pareça irracional, eles estão dispostos a ir sem saber exatamente para onde ir, como fez Abraão. Os missionários coreanos creem que Deus cuidará deles, porque foi Ele quem os chamou e os enviou.

A proibição de viajar para o exterior foi suspensa

Depois de organizar com sucesso os Jogos Olímpicos de Seul de 1988, o governo coreano permitiu que os coreanos viajassem livremente para o exterior. Desde que não tivesse antecedentes criminais, qualquer coreano poderia obter um passaporte e ir para o estrangeiro. Este tornou-se um ponto de inflexão histórico e, a partir dele, os missionários coreanos expandiram seu compromisso para com o mundo inteiro.

Deus abriu as portas de campos missionários fechados

Justo quando a força missionária coreana estava intensificando seus esforços, Deus abriu dois campos para receber esses missionários prontos. Quando Gorbachev declarou a dissolução da União Soviética em 1990, a porta para o trabalho missionário foi amplamente aberta para os países da Ásia Central que se tinham tornado independentes da União Soviética.

Pela providência de Deus, Stalin já tinha levado quinhentos mil coreanos étnicos a vários países da Ásia Central, em 1937. Foram um bom ponto de contato para os missionários. Estes coreanos étnicos de terceira geração foram as pessoas preparadas por Deus, por meio das quais os missionários coreanos puderam desfrutar do reavivamento da obra missionária nos países islâmicos da Ásia Central.

Dois anos depois, a Coreia e a China estabeleceram laços diplomáticos. Mas, à semelhança do caso na Ásia Central, quando os missionários coreanos entraram na China, já havia 2,7 milhões de coreanos étnicos prontos para ouvir o evangelho na língua coreana. Agora podemos ver que Deus estava preparando o campo muito antes de os cristãos coreanos se sentirem chamados a ir.

As igrejas enfatizam o serviço a curto prazo no exterior

A cada ano, as igrejas coreanas usam a temporada de férias de verão para tirar suas congregações do país para viagens de visão, caminhadas de oração e serviço de curto prazo no exterior. Os jovens que retornam dessas viagens, muitas vezes, se comprometem com o serviço missionário, e os membros da igreja começam a ter uma visão para levar o evangelho ao mundo.

As igrejas têm tomado a iniciativa e encorajado suas congregações a usar o tempo de férias não para prazer pessoal e sim para o serviço missionário no exterior, centrado na igreja e orientado à família.

Ministros em movimento

Houve um tempo em que 50.000 igrejas foram plantadas na Coreia e a população do país é de cerca de 50 milhões (a título de comparação, a Convenção Batista do Sul tem pouco mais de 47.000 igrejas nos Estados Unidos, que tem uma população de 373 milhões). Além disso, nos seminários teológicos, a cada ano, 8.000 se formam.

Acreditava-se que a igreja tinha saturado a população. Por fim, as oportunidades de emprego para os ministros tornaram-se limitadas. Naturalmente, isso levou muitos ministros a considerarem ir ao exterior para pregar o evangelho a pessoas não evangelizadas e não alcançadas, em vez de trabalhar na Coreia. Isto serviu como impulso para que mais missionários partissem.

Igrejas que enviam se apropriam da tarefa

Um provérbio coreano diz: “Um tigre morre e deixa seu abrigo. Um homem morre e deixa o seu nome”. Esta mentalidade também se aplica à igreja local. Algumas igrejas pensam que se uma igreja é saudável e forte, ela deve enviar seus próprios missionários ao campo para deixar uma marca missionária no mundo. Portanto, muitos missionários têm sido enviados, quase como uma competição, pelas igrejas coreanas.

As igrejas que têm enviado missionários se orgulham de seu envio, enquanto as igrejas que não puderam enviar missionários talvez se envergonhem de não ter podido enviar ninguém. Além disso, a igreja enviadora tem fortes laços de relacionamento com o missionário. Sempre que o missionário precisa de ajuda, é a igreja enviadora que se responsabiliza ativamente pela necessidade, em vez de uma organização de envio.

Baby Boomers se convertem em missionários “prateados”

Finalmente, os coreanos enviam regularmente missionários “prateados” ao campo missionário, depois de se aposentarem de seus empregos. Os baby boomers coreanos, nascidos entre 1955 e 1963, representam quase 15% da população da Coreia, de 51 milhões de habitantes. A cada ano, aproximadamente 1 milhão de pessoas se aposentam. Entre eles, estão muitos cristãos fiéis e muitos deles querem viver uma segunda vida depois da aposentadoria, servindo como missionários.

Pelo plano e providência de Deus, a igreja coreana tem sido capaz de participar vigorosamente do trabalho missionário nos últimos 30 anos. Como resultado, Deus tem usado a história da Coreia, de superar várias dificuldades (pobreza extrema, falta de recursos naturais, ditadura, guerra civil, falência nacional), para estimular a atividade missionária entre os cristãos de todo o mundo.

Nossa história ainda é bastante nova e é provável que tenhamos muitas lições a aprender à medida que nos deparamos com a secularização em nosso país e com ameaças de outros. Mas estou certo de que Deus continuará a realizar grandes coisas através da igreja coreana enquanto fixamos nossos olhos nEle.

Jae Kyeong Lee é presidente da Junta de Missões Batista Estrangeira (FMB) da Convenção Batista Coreana. Tem estado ativamente envolvido em missões desde 1987 quando ele e sua família se mudaram para Fiji para um trabalho missionário. Jae Kyeong Lee vive em Seul, Coreia.

Fonte: International Mission Board

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Martha Claros

Diretora da Área de Comunicação - COMIBAM Internacional

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