O evangelismo, mais que uma tarefa, é parte de nossa identidade

Evangelismo

Por Zane Pratt

O evangelismo é o primeiro passo para fazer discípulos de Jesus. Segundo a Bíblia, todas as pessoas no mundo que estão fora de Cristo estão espiritualmente mortas em sua rebelião contra Deus (Efésios 2:1-10). Estão sob a condenação de Deus por suas ofensas contra Ele, e essa condenação é completamente justa (João 3:16-18). Deus não nos deve nada, mas em Sua graça e misericórdia, gratuitas, Ele proporcionou uma e única solução para nosso problema eternamente mortal de pecado. Essa solução é o evangelho.

A boa nova do evangelho é que Deus se fez homem na pessoa de Jesus, o Messias. Jesus foi nosso substituto, que viveu a vida que deveríamos ter vivido e depois morreu a morte que merecíamos morrer, assumindo a ira que merecíamos por nossa rebeldia contra Deus. Ressuscitou dos mortos em completa e final vitória sobre o pecado e a morte.

Cristo voltou ao céu, onde se senta agora, entronizado à direita de Deus Pai e intercede por seu povo. Ele virá novamente no final da história e tornará todas as coisas novas, banindo o mal e a dor para sempre.

O evangelho é um presente. O evangelismo é o método de entrega

Agora, ele oferece gentilmente o presente da salvação a todos os que se arrependem de sua rebelião contra Deus e depositam sua confiança somente nele para salvá-los. Esse dom da salvação inclui o perdão de todos os pecados, a adoção como filhos de Deus, o dom do Espírito Santo que vive dentro deles e a vida eterna em infinita alegria com ele. Para serem salvos da condenação eterna, as pessoas devem ouvir (ou ler ou assinar) essa mensagem e responder com arrependimento e fé.

O evangelismo é o ato de compartilhar essa incrível notícia com as pessoas que precisam ouvi-la. É por isso que o evangelismo é uma prioridade urgente para o povo de Deus.

O conteúdo básico do evangelho é o mesmo, não importa onde uma pessoa viva ou que língua fale. Entretanto, para ser eficaz, a mensagem deve ser compreendida. No nível mais básico, isso significa que evangelistas eficazes devem falar e compreender a língua das pessoas às quais estão tentando chegar.

Assim como não seria bom ler o texto original grego do Novo Testamento diretamente para um típico não crente americano, também não é bom falar o evangelho em inglês para uma pessoa que fala apenas hindi ou chinês (ou para uma pessoa surda que não lê os lábios). Mesmo que uma pessoa saiba inglês suficiente para vender seus produtos aos turistas, ela pode não saber o suficiente para entender o evangelho e, de todo modo, as coisas profundas do coração são mais bem compreendidas na língua do coração de uma pessoa.

Evangelismo transcultural

Por essa razão, o evangelismo transcultural requer habilidades de comunicação efetivas na língua das pessoas que o evangelista está tentando alcançar. No entanto, a questão vai além da língua. A mensagem do evangelho pressupõe uma cosmovisão completa: a cosmovisão da Bíblia.

A Bíblia apresenta uma imagem da realidade que está em desacordo tanto com a cosmovisão secular como com a perspectiva de todas as demais religiões do mundo. Essa cosmovisão é detalhada no Antigo Testamento, e o Novo Testamento assume e se baseia em tudo o que é ensinado no Antigo. A Bíblia apresenta uma imagem muito específica de quem Deus é, o que requer, o que é o mundo, o que significa ser humano, o que deu errado conosco e com o mundo, como Deus age, qual será o destino de cada pessoa e para onde a história está indo, e a mensagem do evangelho pressupõe cada parte desse contexto.

As culturas humanas caídas fazem suposições sobre cada um desses elementos da cosmovisão que, muitas vezes, são diferentes da perspectiva bíblica e entre si. Essas suposições, que frequentemente não são examinadas e se ocultam à vista, podem afetar seriamente a capacidade de uma pessoa para compreender o evangelho. Por essa razão, a compreensão intercultural é necessária para compartilhar efetivamente o evangelho com uma pessoa de qualquer cultura. Isso é certo, inclusive, nas culturas norte-americanas, que se moveram para tão longe, em direções não bíblicas, que sobra pouco conhecimento residual de uma cosmovisão bíblica.

Enquanto compartilhamos as boas notícias, aqui estão algumas perguntas úteis:

Quando falamos de Deus, o que as pessoas entendem?

Qual é o conceito delas de certo e errado, e quais creem que são as consequências (se houver) de fazer o incorreto?

Qual acreditam que é o destino das pessoas após a morte?

As respostas a essas perguntas variam de uma cultura para outra e se não conhecemos as respostas corremos o grave risco de falar com elas de uma forma complicada.

Portanto, embora a mensagem do evangelho seja a mesma em todos as partes, a forma como é apresentada e as explicações que a acompanham podem variar de um lugar para outro. Nosso objetivo é a clareza para a pessoa que escuta. Queremos que compreendam a mensagem bíblica de acordo com os termos bíblicos. Se há uma ofensa por causa da mensagem, queremos que seja a ofensa da cruz, não a ofensa desnecessária de má comunicação. Portanto, devemos estar conscientes de que o evangelismo transcultural requer conhecimento e sensibilidade transculturais.

Zane Pratt é o vice-presidente de capacitação da Junta de Missões Internacionais.

Fonte: International Mission Board

 

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