Indígenas defendem o evangelho em suas comunidades

-Conplei-

 

Em meio a discussões sobre a evangelização dos povos indígenas no Brasil, líderes de várias etnias decidiram trazer a público seu posicionamento sobre o assunto. A declaração foi feita em nome do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas – Conplei e foi divulgada por meio de um vídeo, que traz mensagens de quatro líderes, cada um de uma etnia, e que está disponível na página inicial de nosso site.

Henrique_Terena

Henrique_Terena

“Nos últimos meses temos sofrido calúnias e difamações acerca do evangelho entre a população indígena no nosso país”, relata Henrique Terena, presidente do Conplei, e pertencente à etnia Terena. Acrescenta que “nós, em nome do povo indígena evangélico, queremos repudiar veemente essas manifestações, esses vídeos e esses boletins que estão sendo enviados em massa para várias pessoas e que certamente chegam às igrejas brasileiras, com o intuito de confundir a mente daqueles que desconhecem o movimento evangélico em nosso país, sobretudo nas populações indígenas.”

Terena lembra que a população indígena no Brasil hoje é de quase 1 milhão de pessoas, de várias etnias, vivendo em vários estados do país e com diferentes graus de desenvolvimento, “mas não é por conta disso que somos diferentes. Temos uma coisa muito parecida entre nós e precisamos ser respeitados sobretudo nas questões culturais. O Evangelho tem trazido para nós grandes avanços. E ele tem proposto para nós também uma unidade de pensamento, valorizando a nossa língua e valorizando a nossa cultura.”

Transformados pelo evangelho

Paulo Nunes, da etnia Baré, relata que “a partir da década de 50 quando estávamos na bebedeira, quando estávamos na prostituição, no engano, no suicídio e em outras práticas, estávamos perdidos, sem saída, pois nem nossos guias espirituais nem nossos pajés sabiam como nos orientar a sair daquela situação. Mas hoje com a ajuda desses preciosos colegas, amigos missionários, somos um povo forte, um povo alegre, temos profissionais e técnicos, temos excelentes mestres na área acadêmica, teológica e eclesiástica. Por isso hoje há necessidade de, mais uma vez, a voz ativa do indígena ser levantada a favor e na defesa desses missionários sérios, que trabalham com ética, com moral, e das organizações missionárias sérias, que têm trabalhado em parceria conosco para o nosso bem-estar.”

A respeito de supostos danos à cultura indígena que poderia evoluir até sua manifestação mais radical, o etnocídio, Paulo Nunes afirma que “isso é um grande erro, uma grande mentira desses acusadores” porque “o evangelho não é importado, pois é o evangelho de Jesus Cristo para todos os povos e que se manifesta na nossa cultura.” Diz ainda que “vale a pena receber esse evangelho, pois esse evangelho é que trouxe mudança para o meu povo Baré e para outros povos do rio Negro”.

Autonomia para decidir

“Nós indígenas precisamos decidir por nós mesmos o que queremos e não pessoas vindas de fora decidindo por nós, seja um indígena isolado ou seja um indígena da área urbana. Nós temos liberdade para decidir o que queremos e hoje o que nós indígenas – falo pela massa cristã, pela massa evangélica – queremos é viver esse evangelho”, defende o Pr. Jaime, da etnia Sateré-Mawé. Diz que “como indígena Sateré-Mawe, escolhi servir ao Senhor” e fundamenta sua decisão na transformação positiva do evangelho: “quando nós indígenas decidimos nos encontrar com o evangelho, tendo contato através de missionários, igrejas que atuam no meio das nossas aldeias, algo diferente acontece. A gente conhece a verdadeira alegria. O evangelho de fato transforma a vida do ser humano, seja ele indígena ou não indígena.”

O Pr. Jaime relata que “a situação está difícil. Há uma ação contra a missão entre nosso povo. Muitas organizações contrárias a que missionários venham e tragam aquilo que nós mesmos, indígenas, queremos. E nós lançamos aqui nosso repúdio contra essas pessoas. Que elas não decidem por nós. Nós, como indígenas reconhecemos que temos capacidade e inteligência para decidir o que queremos.”

Preservação da cultura

Edson, da etnia Bakairi, destaca o aspecto cultural relacionado ao evangelho. “Se nós temos hoje 305 povos e mais de 180 línguas faladas é graças a muitos desses evangélicos, dessas missões que atuaram nas terras indígenas, nos povos indígenas, preservando a língua, cultura e tudo o que os indígenas têm”. Acrescenta que “o evangelho tem feito que nós tenhamos um sonho de desenvolvimento. O protagonismo indígena tão falado só vai acontecer a partir do momento que nós formos realmente transformados. E Jesus transforma nossas vidas. Eu sou prova disso”.

Tanto Edson como os demais líderes pedem orações pelos missionários que trabalham em contexto indígena, pelo crescimento da igreja evangélica, para que se atente para as organizações sérias e não sejam confundidos, dentre outros motivos. Segundo Henrique Terena, “queremos avançar cada vez mais. Estamos certos de que venceremos mais esta etapa. Por isso pedimos as suas orações e as suas manifestações em relação à população indígena em nosso país. Que Deus abençoe a cada um de vocês”.

Raquel Villela é missionária da Associação Evangélica Evangélica Missionária ALEM, e também atua como diretora de comunicação portuguesa no COMIBAM.

 

The following two tabs change content below.

Martha Claros

Diretora da Área de Comunicação da COMIBAM

Comments are closed.