Esforços para levar a Palavra de Deus a povos de tradição oral

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Por Raquel Villela

Uma parcela considerável dos povos que ainda não conhecem o Evangelho tem como traço marcante o fato de serem de tradição oral. É com foco nesses povos que a Global Recording Network (GRN) atua, produzindo conteúdos bíblicos em áudio ou audiovisuais na língua materna dessas pessoas, por meio de unidades instaladas em todos os continentes. Para melhor atender às necessidades da comunidade ibero-americana, a GRN possui três escritórios nessa região: Gravações Brasil, Gravaciones Buenas Novas México e Grabaciones Buenas Novas Espanha.

A cada quatro anos, a GRN reúne seu Conselho Internacional para realinhar prioridades e renovar os esforços da equipe para o imenso trabalho remanescente. A reunião mais recente ocorreu de 12 a 21 de novembro do ano passado, na Tailândia e contou com a presença de diretores, líderes e convidados de 25 países dos cinco continentes: Ásia, África, Américas, Europa e Oceania.

Parceria com a Igreja

Uma das ênfases compartilhadas no encontro foi o maior envolvimento da igreja local em todo o processo de tradução e gravação da Bíblia, conforme destacado por Marnix de Kartidaya, Diretor da SIL Indonésia. Ele salientou que “tudo começa com um relacionamento genuíno com a Igreja. Antes de nos aproximarmos para pedir algo, ou perguntar o que podem fazer por nós, devemos perguntar o que podemos fazer pela Igreja, como podemos servi-los. Geralmente quando pastores e líderes de igreja nos olham, eles veem alguém que se aproxima para pedir dinheiro ou tirar algum membro da igreja para sua organização.”

Kartidaya aponta o relacionamento como extremamente importante nesse processo, o que pressupõe compartilhar o entendimento sobre o que está sendo feito. “Devemos começar com o ‘porquê’. A igreja precisa entender o porquê da missão e porque fazemos o que fazemos. Pessoas não se interessam pelo que você faz, mas no porquê você faz! Entenda sua missão (de Deus), conforme Atos 1:6-8”.

De acordo com uma pesquisa realizada na Indonésia e apresentada por Kartidaya, 17% dos cristãos indonésios disseram que realmente entenderam a Grande Comissão, enquanto 51% nem sequer tinham ouvido falar dela. Ele prossegue, fazendo referência à citação de Hudson Taylor de que “‘a Grande Comissão não é uma opção; é um comando’, mas as igrejas locais entendem isso?” Uma das iniciativas que tem sido aplicada com bons resultados em seu país é nomear pastores como Coordenadores de Parceria no período em que eles estão se aposentando; “você oferece a eles um novo desafio e eles sabem como abordar outros pastores”.

Unir forças

A representante do Brasil na Reunião do Conselho Internacional foi Dionara Castilhos Pires, diretora de Gravações Brasil, que informou que a organização está em busca de envolver mais a Igreja local. “Talvez precisemos nos fazer algumas perguntas: A igreja com a qual vamos interagir entendeu qual é sua missão? Que tipo de relacionamento estamos desenvolvendo? Unicamente esperando que nos sirvam? Ou buscando servir, encorajar e ajudar a descobrirem sua missão no processo de tradução?” Disse ainda que “precisamos unir as forças, os talentos, as ferramentas para fazer o trabalho da forma mais eficiente e eficaz que pudermos”.

Os dias de reunião permitiram também que as pessoas conhecessem o que Deus tem feito em outras nações através desse ministério, sendo renovados pela alegria de ver tantos povos, em várias línguas, recebendo conteúdo bíblico em suas línguas e sendo desafiados a se envolver num projeto de tradução. Dionara acrescentou que “pudemos compartilhar os desafios e nos perceber como Corpo de Cristo, onde todos passamos por perseguições e lutas, uns mais que outros, e assim, intensificar nossas orações e nosso apoio uns para com os outros para não desfalecer na caminhada”.

Povos menos alcançados

A GRN produz materiais evangelísticos cristãos e de discipulado audiovisuais para comunidades de tradição oral. A prioridade é trabalhar onde não há Escrituras traduzidas e nenhuma igreja local viável ou onde uma Escritura ou porção escrita está disponível, mas poucas pessoas (ou nenhuma) é capaz de lê-la ou dar sentido a ela. Há um cuidado para que os conteúdos sejam sempre culturalmente apropriados.

Desde que o trabalho da GRN foi iniciado, em 1939, foram produzidas gravações em cerca de 6.000 línguas, muitas das quais são de grupos linguísticos menos alcançados do mundo. As gravações podem ser baixadas gratuitamente a partir da área “Recursos” do site http://globalrecordings.net/pt/. Outra possibilidade é baixar o aplicativo 5fish pelo link: https://globalrecordings.net/es/5fish.

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Martha Claros

Diretora da Área de Comunicação - COMIBAM Internacional

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