“A situação em Beira é crítica”, dizem cristãos em Moçambique

 

Um ciclone devastou a região central do país, provocando danos a residências e afetando também os serviços de fornecimento de eletricidade e de água. O número de mortos pode chegar a mil pessoas.

O ciclone tropical Idai devastou a costa da região central de Moçambique, com ventos de até 177 quilômetros por hora, que derrubaram casas e edifícios, destruíram estradas e afetaram a infraestrutura de abastecimento de recursos básicos, como eletricidade e água. Embora o número oficial de mortos seja 200, o presidente do país, Filipe Nyusi, assegurou que poderá superar mil mortes. “Tudo indica que podemos registrar mais de mil mortos”, disse Nyusi em uma comunicação à nação.

Uma das cidades mais afetadas é Beira, com quase meio milhão de habitantes e que foi destruída em 90%. “A cidade não tem água potável. Faltam filtros de água. Não há energia elétrica e as ruas estão bloqueadas com árvores que foram derrubadas pelo vento”, explicou à Protestante Digital o presidente da Convenção Batista de Moçambique – CBM, Lourenço Anteiro.

Além disso, segundo o presidente de Moçambique, a localidade ficou praticamente isolada depois que a estrada nacional número 6 sofreu destruição em quatro pontos, de acordo com a mídia local Savana. “As águas dos rios Pungoé e Buzi transbordaram, fazendo desaparecer aldeias inteiras e isolando as comunidades”, lamentou Nyusi, que também disse que podem ser vistos “corpos flutuando”. “Um verdadeiro desastre de grandes proporções”, acrescentou o presidente, que lembrou que a vida de mais de 100 mil pessoas está em perigo.

As consequências do Idai também chegaram a países vizinhos como Zimbábue ou Malaui, onde foram registradas provisoriamente 98 e 56 pessoas mortas respectivamente, embora o número possa aumentar nos próximos dias. No total, a ONU considera que mais de 1,7 milhão de pessoas foram afetadas pela tempestade, que chegou inclusive ao Quênia.

Danos a hospitais, escolas e igrejas

Segundo informa a União Evangélica Batista da Espanha (UEBE), citando o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique, “873 casas foram destruídas, assim como 24 hospitais e 267 salas de aula estão inundadas”. A entidade espanhola está presente no país africano por meio de uma missão que se encontra em Sara Marcos, que, segundo confirmou a este veículo de comunicação, encontra-se a salvo e também o centro onde ele trabalha.

“A situação em Beira é crítica”, lamentou Anteiro. “Algumas igrejas estão destruídas, como o templo da Igreja de Muchatazine, a Igreja do Aeroporto e outras construídas com materiais precários”, salienta.

Mobilização para ajudar

Segundo Anteiro, “a Convenção Batista de Moçambique criou uma comissão de emergência que está monitorando a situação para receber e direcionar apoio às vítimas”. “O plano é reconstruir vidas para que voltem à normalidade”, avisa. É um trabalho que está sendo desenvolvido em conjunto com a UEBE, segundo informa a organização espanhola. “Queremos ajudar. Somos um povo solidário e temos Moçambique em nossos corações”, diz em nome da entidade, que dispõe de uma conta para emergências.

O Presidente Nyusi solicitou ajuda à comunidade internacional, que já começou a se mobilizar e a destinar recursos ao país. No momento há alguns navios realizando operações de busca e de salvamento na costa de Beira, e o governo enviou as forças de segurança e defesa para a região. A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho já está trabalhando em esforços de resgate, ainda que advirta sobre dificuldades, porque “estão totalmente interrompidas as comunicações e as estradas estão destruídas”.

Fonte: Protestante Digital

 

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Martha Claros

Diretora da Área de Comunicação da COMIBAM

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