Considere o líder jovem

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Por Dr. Stephen Coertze

Ao escrever sobre jovens em missão hoje, a blogueira Sarita Hartz conta como “a cada dia vejo belos, apaixonados e transformadores de mundo, despedaçados pela máquina que são as organizações missionárias. Vão mancando para suas casas, desiludidos, cínicos e naufragando em sua fé. Pergunto a mim mesma se se esse monstro que criamos deu errado e se nossa juventude é apenas um dano colateral, dispensável porque sempre há outro para substituí-los”.

No início de agosto, 14 líderes jovens, representando 13 países da África, América, Ásia-Pacífico e Europa, reuniram-se para uma consulta em Cingapura, para expressar suas opiniões sobre a Aliança Global Wycliffe. Entre muitas outras discussões, pedimos a eles que nos ajudassem a entender o líder mais jovem e porque sua contribuição para o movimento de tradução da Bíblia é importante. Quero compartilhar brevemente com você o que aprendemos.

Conheça os líderes mais jovens no movimento de tradução da Bíblia

Ao reconhecer que cada pessoa é formada por seu ambiente próprio e complexo, os líderes mais jovens da consulta deixaram claro que não queriam ser categorizados como se todos pensassem e agissem da mesma maneira. A melhor maneira de conhecer líderes mais jovens individualmente é interagir com eles pessoalmente. Será útil tomar nota de algumas características desses líderes mais jovens.

Amor por Deus

Os líderes mais jovens têm energia e entusiasmo para ver a missão de Deus cumprida. São movidos por um profundo desejo de honrar a Deus. Desejam servir em sua igreja e participar da missão, desde que as atividades da igreja e da missão afetem intencionalmente a vida das comunidades.

Trabalham em equipes relacionais

Vivem para os demais e querem que ver outros triunfarem. Por serem relacionais, com necessidade de contato pessoal, funcionam de uma maneira ótima em equipes. Os colegas são amigos e não apenas trabalhadores da mesma organização. A colaboração é algo natural para nossos líderes mais jovens

Familiarizados com a flexibilidade

O que geralmente se considera como falta de compromisso com o local de trabalho deve ser entendido como um alto nível de flexibilidade. Líderes mais jovens são orientados para mudanças, novos desafios, crescimento e ambientes de trabalho adaptáveis. Buscam oportunidades para o desenvolvimento de habilidades e capacitação no trabalho. Se for possível fornecer isso a eles, e se for dada a eles uma visão clara e compreensível, perseverarão no local de trabalho.

Dispostos a aprender

Valorizam a oportunidade de questionar o status quo. Ansiosos por aprender, não têm medo de fazer muitas perguntas. Pedirão ajuda e apreciarão qualquer ideia nova. Proporcionar retroalimentação aos líderes mais jovens por meio de conversas os ajuda a integrar o que aprendem e dá a eles confiança para explorar mais a fundo.

Nativos tecnológicos

Descrevem a si mesmos como nativos tecnológicos, tanto na mentalidade como na capacidade de se adaptar às mudanças nessa área. Cresceram durante o desenvolvimento mais rápido dos avanços tecnológicos da história. Embora adaptáveis a esses avanços, também são vulneráveis à invasão da tecnologia em suas vidas.

Compatíveis com o século XXI

Os líderes mais jovens estão preparados para enfrentar os desafios do século XXI. Estão conectados globalmente por meio de redes de amizades e interesses comuns. Ao navegar pelas mudanças e desafios globais acelerados, esses visionários naturais são solucionadores de riscos e tomadores de riscos intuitivos. Não fogem da inovação nem das abordagens novas e não comprovadas, mesmo que isso conduza ao fracasso. O fracasso é visto como uma oportunidade de crescimento e aprendem com seus erros.

Compreender os líderes mais jovens no movimento de tradução da Bíblia

Demostrando estar conscientes de suas próprias deficiências, os líderes mais jovens na consulta fizeram as seguintes e perspicazes auto-observações:

  • Com frequência parecemos arrogantes aos líderes mais velhos.
  • Quando fazemos perguntas, pode parecer que os questionamos.
  • Quando oferecemos soluções não comprovadas e pensadas rapidamente, podemos parecer arrogantes e ingênuos.
  • Somos impacientes e precisamos aprender a esperar que as coisas cresçam e se desenvolvam.
  • Desejamos o equilíbrio da vida como um todo e consideramos que o cuidado pessoal é tão importante para nós como o trabalho.
  • Contudo, ao praticar o autocuidado podemos parecer preguiçosos e sem compromisso.

“Nós, como líderes jovens, queremos uma cultura de honra, respeito e humildade em ambos os extremos. Não queremos tomar seu lugar, mas, ao contrário, trabalhar e aprender com você”.

Há um forte desejo dos líderes mais jovens de serem compreendidos pelos líderes mais antigos.  Por exemplo, um dos grupos de discussão escreveu uma carta aberta em uma lousa fictícia, expressando como desejam ser vistos por eles:

“Honrem-nos por nosso papel, não por nossa idade. Valorizem-nos por nossos pontos fortes e não se concentrem apenas em nossas fraquezas. Confiem em nós e nos deem responsabilidade. Deus está no controle! Deixe os resultados para ele! Nós, como jovens líderes, queremos uma cultura de honra, respeito e humildade em ambos os extremos. Não queremos tomar seu lugar, mas, ao contrário, trabalhar e aprender com você. Precisamos de orientação e aconselhamento. Não queremos que nos vejam ou sintam como uma ameaça para você. Do seu lado, ansiamos pelo desenvolvimento da liderança intencional.”

Conclusão

Recentemente, o diretor da OM, Lawrence Tong, desafiou a OM com estas palavras: “Os líderes atuais devem estar orientados intencionalmente para a próxima geração… Estamos dispostos a correr riscos com nossos sucessores, dando a eles responsabilidades genuínas para a resolução de problemas e para a inovação?”

Tong tem razão ao assinalar a necessidade de tutoria intencional de líderes mais jovens. Os líderes mais jovens em nossa consulta nos suplicaram que sejamos seus mentores. Gostaria de nos encorajar a levar esse argumento a sério. Não porque eles são a próxima geração de líderes: eles são parte dos nossos líderes atuais em nossas organizações. Além disso, nos encorajam a examinar como estamos indo como Aliança Global Wycliffe em relação aos jovens que servem entre nós e a iniciar discussões em nossos ambientes de trabalho que garantam uma cultura de respeito, honra e humildade para todos.

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Stephen Coertze

O Dr. Stephen Coertze tem servido com a organização Wycliffe da África do Sul durante o últimos 14 anos, 10 deles como diretor. No entanto, foi seu doutorado (Ciência da Religião e Missiología) na Universidade de Pretória, completado em 2007, que o levou a uma nova fase em seu chamado, participando no desenvolvimento do pensamiento missionário da Aliança Global Wycliffe e influenciando a forma de funcionamento da organização hoje. A Aliança Global Wycliffe nominou o Dr. Stephen Coertze como seu próximo Diretor Executivo. Coertze atualmente se desempenha como diretor de Missiología na equipe de liderança da Aliança.

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